25/01/12

Na volta do correio

Lembro-me perfeitamente de ouvir a minha avó reclamar quando se abria a caixa do correio:
- Tanta carta, tanta carta!! E é só contas para pagar.

Sempre a percebi bem, porque apesar de na altura as contas não me aquecerem, nem me arrefecerem, gostava de escrever cartas, sobretudo pela expetativa de encontrar algo na volta do correio. São águas passadas e agora são os e-mails que dominam a comunicação. Não há volta a dar, os postais e cartas manuscritas fazem parte da era da outra senhora.

Mas depois há  aqueles dias em que vou até aqueles desabafos e fico a pensar o quanto desejaria que quem me escreveu tivesse estado quietinho. Então se o que encontramos é um no postal que indica que temos uma carta registada para levantar no posto dos correios, com o remetente que dá pelo nome de destacamento de trânsito da santa terrinha, o desejo multiplica-se exponencialmente...

23/01/12

Doutoramento em desenrasque

 "100 mil crianças desapareceram"

Dito assim somos levados a pensar em qual terá sido o cataclismo, mas foram estas as palavras que abriram o bloco noticiário esta manhã na rádio. Aguardando uns minutinhos verifiquei que afinal os 100 mil desaparecidos nunca existiram.
Então, afinal?!? Pois bem, recentemente foi exigido que todas as crianças tenham número fiscal ou, por outras palavras, que assim que nascem os pais lhes tratem do cartão do cidadão. Este número passa a ter de ser utilizado na declaração de IRS dos progenitores. Conclusão? Verificou-se que havia por ai muito boa gente a declarar filhos que não tinha ou em duplicado. 
Não há dúvida que o português tem na massa do sangue o doutoramento em desenrasque e técnicas de fintar o sistema. Pena tenho que não usem tão fantástica sabedoria... para ideias construtivas e de valor.

18/01/12

Sentimento feio

Eu sei que a inveja é um sentimento feio, mas naquela fração de segundos em que observei a cara dos meus colegas, não foi possível resistir-lhe... Todas elas diziam:
-Ufa! Ainda bem que esta ata não me calhou a mim.

Planeta errado

Na semana passada, a caminho do trabalho, o Pedro Ribeiro da Rádio Comercial lá me foi instruindo, dando conta de um estudo que revela que cerca de 10% dos portugueses chega atrasado uma vez por semana ao trabalho e que mais de 20% dos trabalhadores chegam atrasados duas ou mais vezes. Sou eu que com certeza, mais uma vez, ando no planeta errado, porque isto faz-me uma confusão de todo o tamanho.
Esta manhã dei por mim a pensar no assunto, porque na minha escolinha nova tenho noventa minutos no horário na sala de estudo, como quem diz, para substituir um colega que falte (vulgo, entreter alunos alheios). Pois bem, em números redondos, havendo cerca de quinze turmas isso equivale, naturalmente, ao mesmo número de professores necessários às quartas-feiras ao primeiro tempo da manhã. A verdade, verdadinha, é que desde 15 de novembro ainda só uma vez não tive de substituir um colega. Talvez o problema seja das questões que debato com os meus botões, às tantas deveria dedicar-me a assuntos mais prementes, como o facto do céu ser azul e dos dias estarem a ficar maiores, mas...

17/01/12

Deixar correr o coração

"Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa - como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?
As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas! É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguém antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar.
É preciso aceitar esta mágoa esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si , isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução.
Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha.
Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado.
O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar."

Miguel Esteves Cardoso, in 'Último Volume'

Eu tenho...

Eu tenho uma aluna no 7º ano que não sabe quantos anos tem. Eu tenho uma aluna no 7º ano que não sabe quantos anos tem. Eu tenho...
E por aqui poderia continuar a repetir-me que a mensagem não passa. Eu tento, mas não há meio de digestão.
Compreendo os currículos alternativos, aceito as adequações curriculares e as 'matemáticas funcionais' e sou a primeira a defender que as escolas devem ter espaço para os alunos que precisam aprender de maneira diferente e para quem não é importante uma porrada de conceitos e de exercícios que fazem parte dos currículos.
Agora terem de sair de lá todos com o 9º ano (12º...) isso então é uma história tão, mas tão diferente...

12/01/12

Reserva Dark Sky


E não é que a Reserva Dark Sky Alqueva foi "reconhecida como a primeira reserva do mundo a obter a Certificação Starlight Tourism Destination, atribuída pela Unesco e pela Organização Mundial do Turismo" (aqui)? A modos que, oficialmente, temos por aqui um dos melhores sítios do mundo para contemplar as estrelas.

10/01/12

Calor esquisito

Os 16, 18 graus de máximas que vão surpreendendo quem passa e a que os meios de comunicação vão dando exagerado realce não ponho em causa. Aquilo que me vai espantando são as previsões de temperaturas  mínimas de 8 e 10 graus para várias zonas do país, incluindo aquela onde vivo. Talvez seja problema do meu carro que teima em mostrar-me temperaturas perto dos 0 graus todos os dias ou talvez seja defeito meu -  lá me vai parecendo que às 7h30 da matina está um calor esquisito.

08/01/12

Está tudo mal...

"Será verdade que está tudo mal desde antes de antes do 1º ano do ensino básico."

Pois, claro que está!
Está mal em casa, onde vai faltando um pouco de tudo o que é mais importante, incluindo aquele pequenino detalhe a que chamam educação.

Um dos pirralhos (leia-se adolescente armado em engraçado) que me pica a pachorra TODAS as aulas à exaustão, está a repetir o ano e no primeiro período teve 6 negativas (e não foram mais, gosta ele de referir entre risos, porque a Matemática não tiveram nota). A caderneta existe, mas com recados para a Encarregada de Educação com mais de um mês por assinar e os contactos são sempre infrutíferos, porque ela simplesmente não vai à escola.
Não estou a julgar. Não conheço a pessoa em causa, não sei as suas razões... mas que este miúdo (e quase os todos outros!) grita ao mundo por atenção todos os dias, lá isso grita!
 
E à pala de tudo isso são os miolos de uns e outros que vão fritando... fazendo figas para que a loucura não esteja já ali ao virar da esquina.

05/01/12

Nevoeiro VS Mentes Brilhantes


E tanto que eu teria para falar hoje sobre o nevoeiro e aquelas mentes brilhantes que, apesar de não vermos um palmo à frente do nariz, acham que é uma boa oportunidade para poupar a bateria do carro e não ligar as luzes: #ejod o& l#tfd T&r# yf#bajdfepwo$sd %thsd yh uWd.

04/01/12

Eu sei, eu sei!

Eu sei, eu sei! A TVI continua a liderar as audiências em quase todas as frentes.
Sim, eu li a notícia sobre a esmagadora vitória no share da noite da passagem de ano.
Mas eu faço parte da minoria, que acham que isto tem toda a lógica e uma pitadinha de piada:

03/01/12

Não me apetece...

Tivesse eu umas gramas de energia extra e era assim que soaria esta manhã, num coro inspirado ao lado do Vasco Palmeirim:

02/01/12

Outras guerras #11

Para que o mal triunfe, basta que os bons não façam nada.

Esta parece-me uma grande verdade que se confirma a cada passo da nossa história.
Sarah's Key é um filme que me transportou para um cantinho da Segunda Guerra Mundial que desconhecia e que me recordou esta frase tão poderosa.
Uma história impressionante!

2012


Quando se tem jeito é assim... simples e com todos os condimentos essenciais. Faço minhas as palavras de um amigo e, pelo rapinanço, por aqui deixo um beijinho especial.

De sim. De não. De "talvez". De "amo-te". De "até sempre". De beijos. De olhares. De abraços. De dar. De receber. De dar sem ter a expectativa de receber. De receber sem o pretexto de ter dado. De alegrias. De tristezas. De vida e de morte. De expectativas. De decepções. De esperança e de conquista. De angustias e derrotas. De sorrisos. De lágrimas. De palavras. De silêncios. De silêncios que são profundos por mais palavras que se usem e palavras que quebram silêncios incómodos. De guerra. De paz. De trabalho. De trabalho. De sacrifício. De trabalho. De esforço. De vontade. 2012 terá isto tudo. No fim de contas, espero poder contar a história e ter a certeza que valeu a pena vivê-lo! Porque sim. Porque sim! Venha 2012!! Feliz ano novo a todos!